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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O neoliberalismo e a vestibularização da vida

Tenho dito, durante minha pouca experiência de vida (principalmente escolar), que, embora pareça para muitas pessoas ser prova cabal da qualidade da educação (que mais se apresenta como termo circunstancial), um instrumento de importância maior que a análise crítica do processo cognitivo, que uma avaliação desconexa e abstrata nos moldes do 'fazer ciência pela ciência' como as avaliações medíocres (entenda-se  aqui a noção de mediana) que muito se assemelham às provas de vestibular ou o próprio  Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), que são, ao mesmo tempo, uma tentativa frustrada de se quantificar a "magnânima, uniforme e concisa educação básica de excelente qualidade" e diagnosticar as possíveis causas dos problemas educacionais numa sociedade em que questões econômicas têm primazia. de sorte que prolemas educacionais vêm a se tornando calos sociais e, paulatinamente passando a ser observados como verdadeiros monstros, em retratos quase apocalípticos da lúgubre caminhada do ser humano à história que vem escrevendo para si.
É assim que, num espaço onde toda capacidade cognitiva elementar deveria estar sendo estimulada, apenas vêm se buscando estimular um sentimento de competição intraespecífica, onde avaliações autodestrutivas que não avaliam a essência do aprenidizado e sim apenas sua resultante semi-estruturado sob a ótica de normatização excessiva dos saberes e apelando para a falta de outros instrumentos de "tão grande eficiência" para avaliar, propondo assim,  uma solução acrítica para um problema genérico e extenso por demais para ser tratado de forma tão simplista.
Numa sociedade regrada pela competição truculenta e cega pregada por um liberalismo que estranha e desenganadamente tenta aliciar nossas mentes para o combate entre nossos iguais, seria tão mais preferível que fossemos regidos pelos instintos mais profundos e naturais, que por uma lógica igualmente animalesca que ainda insistimos em chamar de "racional", uma lógica onde tudo pode e se transforma em mercadoria, onde os saberes proporcionados pela vida na experiência empírica/cotidiana fossem de pequena importância ou necessitassem ser aniquilados frente à globalização de valores, aspecto aqui tomado num tom quase jocoso, pela falta de integração e valorização das múltiplas culturas e volta-se à padronização cultural...
Precisamos urgentemente assumir uma nova perspectiva, pautada na reflexão verdadeira, na valorização de crenças locais e universalização das particularidades inerentes a cada região de sorte que as riquezas (materiais e imateriais) sejam respeitadas e preservadas. Uma cultura onde as conquistas individuais  possam ser observadas enquanto fruto de diversas interações e projeções sociais e que devem ser observada não pela ótica do "Eu consegui sozinho" ou qualquer pensamento individualista, egocêntrico e excêntrico.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Democratura

Há algum tempo começaram a me surgir algumas dúvidas e inquietações acerca dessa política transloucada que insistimos chamar de democracia.
Permita-me então fazer algumas considerações sobre o que vivemos e sobre o que viria a ser democracia:
Democracia implica em governo de um povo, não de uma aristocracia industrial que detém o poder econômico e se utiliza de muita articulação política para favorecer seus fins mais escusos de politicagem. Assim, construi para mim uma série de elementos do que seria efetivamente democracia:
  • Governo onde há uma quase total horizontalização nas relações entre os seres constituintes desse Estado ou sociedade;
  • Espaço político onde as vontades gerais guiariam a sociedade para um bem comum, que supera em muito as vontades individuais/particulares (pego carona aqui no pensamento de Jean-Jacques Rousseau*);
  • Como todos poderiam inferir pela simples análise da nomeclatura, a democracia seria a assunção de um governo onde todas as camadas da sociedade participariam ativamente da vida política, ou seja, não haveria necessidade nenhuma de representatividade e a própria assunção de um caráter omissivo teria uma significação política distante do sentimento de alienação de alguns direitos de cunho político. Assim, etimologicamente teremos:
    • DEMO - povo;
    • KRATOS - governo.
  • Quanto ao modo de governar, pareceu-me elementar que os debates políticos (ocorrido em todos os setores da sociedade) seriam profundos e abrangentes (uma análise do panorama), visando ocorrer de forma mais clara e voltada não à movimentação das massas mas à conscientização da população de forma que, através da razão, se possa propor uma intervenção efetivamente justa no modo de conceber e agir dentro da multifacetada área da política.
De posse desses pensamentos, eu novamente questiono sobre o nosso pensamento de democracia:
Poderíamos, sob alguma hipótese conceber, na conjuntura atual, um pensamento tido como democrático?
Poderíamos perceber as forças que movem a política? As forças que nos movem e que, de certa forma, nos movimenta quando não nos controla?
Na atual gestão deste sistema neoliberal que rege nossa economia e, por conseguinte, nosso governo, mostra que muitos discursos são vendidos e, de forma acrítica, comprado pela parcela esmagadora da população brasileira...
Somos bombardeados diariamente por discursos vazios e cheios de uma inútil prolixidade, de uma oratória decrépita e disforme, de um cinismo puritano (perdão pelo uso desta expressão carregada de uma carga valorativa de cunho perjorativo adquirida no transcorrer da história) que faz com que acreditemos nos discursos mais pobres em relação a referências teóricas e mais escorregadios quanto à aplicabilidade e responsabilidade social.
Para mim, este não é o modelo de democracia exercida de fato e de direito. 
É apenas uma representação, um esboço ainda muito rústico do que vem a ser efetivamente democracia.
Estamos caminhando (a passos curtos, inseguros, subconscientes e ainda pouco seguros) para quem sabe um dia chegarmos à tão aguardada democracia.
Seguindo também o mesmo raciocínio que Jayme Paviani** desenvolveu pautado nos ideais platônicos onde a democracia tenderia a eliminar certos "desvios" da conduta moral esperada em todo cidadão e serviria principalmente para normatizar a sociedade e normalizar os ânimos dos constituintes da sociedade.
Rousseau dizia que, vivendo em sociedade, somos obrigados a ser livres mas na liberdade das coisas se encontram algumas particularidades: