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sábado, 19 de novembro de 2011

Espectros

E no silêncio dos inocentes

Pela força dos grilhões

Renegando nossos nomes

Nossa cor e tradição,

Nossos deuses tão presentes

Nossa voz se faz ausente

Sangram nossos corações



Que os Orixás nos perdoem,

Nossas falhas e inconstâncias

Zumbi, que do alto ecoa

Como herói que não se cansa

Ganga Zumba e sua lança

Sua força e importância

Emergem dos corações



É na força do guerreiro

Na cor de nossa lembrança

Que Xangô demonstra os feitos

Com as falas, com as danças

Mostrando riqueza e graça

A sublime e iluminada

Cor do povo de Aruanda



Oxalá, meu pai amado

Me ilumina sempre atento

Olodumaré nos dá

Força, fé e provimento

Iansã, grande rainha

Olha pela vida minha

Do alto do firmamento



Ogum, Oxossi, Ibeji, Nança

Iaôs dançam com os atabaques

O babalorixá reinou

No terreiro iluminado

Quanto axé dos agogôs

Nos guiam em nosso caminho

E protegem nossos passos



Que o Yroko sagrado

Nos conecte aos ancestrais

Que a cultura nos permita

Viver com amor e paz

Que a importância de outrora

Nos permita ainda agora

Falar com os ancestrais



Respeite minha cultura

Minha cor, minha mensagem

Não desvirtue a realidade

Cor não mede capacidade

Não fragmente a identidade

Nunca tente silenciar

Minha ancestralidade.