Venho com orgulho escrever sobre o que tenho concebido como o maior avanço na esfera jurídica nacional ocorrido na segunda década do corrente século: o reconhecimento da união homoafetiva estável.
Longe dos dogmatismos mais hipócritas e ahistóricos, esse reconhecimento toma uma roupagem de respeito às individualidades e à diversidade sexual, de tal maneira que, para se pensar em uma sociedade mais igualitária, é necessário iniciar uma postura anti-preconceitos, extirpando todos os tipos de discriminação que, diga-se de passagem, encontra-se às claras e têm raízes históricas tão profundas quanto nefastas.
Assim, é tomando um caráter de acolhimento, de inclusão social a grupos sociais que há tanto sofrem o desdém da sociedade patriarcal, machista e conservadora de uma moral falída, arcáica e caquética que se mantém num status quo sustentado como condição sine qua non para a sustentação de uma sociedade que, haja vista pelo período de transição, não se suporta mais pelos antigos ditados da religião ou de uma política repressora ou de padronizações sociais muito específicas e amplamente prejudiciais ao desenvolvimento da igualdade tão almejada.
As camadas sociais "minoritárias" (assim nominadas por não pertencerem à classe dominante que se denomina majoritária pela influência sócio-econômica que julga ter), antes sufocadas, hoje tornam a embrenhar-se em tensões sociais cada vez mais fundamentadas e com um grau de adesão cada vez mais alto, indo bravamente contra o controle centripeto de um Estado ditador de condutas.
Alguns hão de dizer que a prática de acolhimento haverá de incentivar a homosexualidade, mas, ao contrário do que se pensa, o reconhecimento e inserção (da maneira forçada como se procedeu), nada mais é do que produto de lutas, mas, infelizmente, não deriva de uma mudança ideologica ou de comportamento e sim de uma tentativa de nova padronização. Cada prática de ação, cada política pública construída pelo ou para o Estado busca resultar numa imposição de padrões bem definidos a um grupo social específico.
Assim como as mulheres foram inseridas no seio da sociedade, que ainda não se encontra pronta a colocá-la no estágio de inclusão social, através de lutas e conquistas muito isoladas, a passos curtos e seguros, me parece ser também que com o grupo dos homossexuais a luta está apenas no começo e que o seu reconhecimento é apenas o primeiro passo de uma longa caminhada sob o alvo da inclusão.
Diferencio aqui inserção de inclusão por um critério subjetivo no qual incluir vai muito além de por algo/alguém em algum lugar (aqui incluir é agrupar objetos num mesmo espaço ou conjunto sem que se proponha uma relação ou observação de diferenças). Em contraposição, incluir é dotar o objeto de interações sociais, criando uma série de relações com o propósito de desenvolver habilidades, competências, observando as particularidades e as potencialidades de cada ser humano, independente de critérios reducionistas excludentes que, de certa maneira, rotulam e impedem o desenvolvimento pleno do ser em questão.
A opção sexual, a cor, classe sócio-econômica, modo de expressar-se entre tantos outros não podem constituir barreiras à evolução material e espiritual do ser humano. Ninguém pode pensar que padrões (cuja obrigatóriedade é assegurada por instrumentos munidos de muita força e mobilidade social) devam ser seguidos cegamente, pois apenas questionando os padrões impostos poderemos ter uma noção de que, em nossas dúvidas, poderemos ser levados a um resultado mais verdadeiro, mesmo que nos provoque inicialmente desconfortos e quebre nossos paradigmas de maneira radical e decisiva.
A opção sexual, a cor, classe sócio-econômica, modo de expressar-se entre tantos outros não podem constituir barreiras à evolução material e espiritual do ser humano. Ninguém pode pensar que padrões (cuja obrigatóriedade é assegurada por instrumentos munidos de muita força e mobilidade social) devam ser seguidos cegamente, pois apenas questionando os padrões impostos poderemos ter uma noção de que, em nossas dúvidas, poderemos ser levados a um resultado mais verdadeiro, mesmo que nos provoque inicialmente desconfortos e quebre nossos paradigmas de maneira radical e decisiva.